A Minha Carreira

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, António Gedeão

Limitar a análise do desemprego apenas à taxa de desemprego é extremamente redutor e simplista

A 13 de Agosto o Diário de Notícias da Madeira publicou uma notícia muito positiva “Taxa de desemprego iguala valor mais baixo em 5 anos”, baseada na informação oficial regional.
Dias depois, a 23 de Agosto, o Diário de Notícias da Madeira publica “67% dos desempregados sem subsídio de desemprego” o que espelha uma realidade preocupante, pois o número de desempregados que não recebem subsídio de desemprego na RAM subiu de 37,6% em Março de 2009 para 66,8% em Julho de 2016, ou seja, a taxa quase duplicou.
Como se constata, basta olhar para 2 indicadores para percebermos que as leituras otimistas feitas num dia, se podem converter, no dia seguinte, em leituras pessimistas.
Imaginem o que acontecerá se a análise incluir indicadores como a taxa de emprego e as taxas de desemprego de longa duração (>1 ano) e de muito longa duração (>2 anos).

Menos desemprego é bom, mas não chega. A qualidade de vida dos desempregados também é importante.

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Imagem: http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/607029/economia/607052-dois-em-cada-tres-sem-trabalho-nao-tem-subsidio

Os Centros de Emprego estão preparados para proporcionar aos desempregados o acompanhamento personalizado para o emprego?

iefp pertoA Lei nº 34, publicada no passado dia 24 de Agosto, estabelece, no seu Artigo 17º, que:
1 – O acompanhamento personalizado para o emprego no âmbito do PPE é um sistema de acompanhamento integrado centrado no beneficiário das prestações de desemprego com o objetivo de garantir:
a) Apoio, acompanhamento e orientação do beneficiário;
b) Ativação na procura de emprego, através da formação e aquisição de competências; e
c) Monitorização e fiscalização do cumprimento das obrigações previstas na lei, garantindo o rigor na utilização destas prestações.
2 – O acompanhamento personalizado para o emprego inclui, nomeadamente:
a) Elaboração conjunta do PPE, que deve ser feito até ao período máximo de 15 dias após a inscrição do beneficiário no centro de emprego;
b) Atualização e reavaliação regular do PPE;
c) Sessões de procura de emprego acompanhada;
d) Sessões coletivas de caráter informativo, nomeadamente sobre direitos e deveres dos beneficiários, mercado de emprego e oferta formativa, programas disponíveis no serviço público de emprego;
e) Sessões de divulgação de ofertas e planos formativos adequados ao perfil de cada beneficiário;
f) Ações de desenvolvimento de competências para a empregabilidade; e
g) Outras sessões regulares de atendimento personalizado.
Atendendo às elevadas exigências em termos de recursos humanos especializados que exige um sistema de acompanhamento integrado centrado no beneficiário das prestações de desemprego, será que o serviço público de emprego dispõe de técnicos especializados suficientes para assegurar o acompanhamento personalizado conforme está definido no ponto 2 do Artigo 17ª, o qual começa por definir que a elaboração conjunta do PPE deverá ser feita no prazo de 15 dias após a inscrição?
De referir que o acompanhamento personalizado para o emprego é muito exigente em termos do tempo que cada técnico especializado do SPE terá de gastar com cada desempregado. Se considerarmos que cada técnico do SPE gasta uma média de 20 horas com cada acompanhamento personalizado e que, por exemplo, no mês de Junho de 2016, o desemprego registado foi de 47.163, então o SPE teria de dispor de cerca de 6.700 técnicos especializados para assegurar o início do acompanhamento no período máximo de 15 dias.
Ler “Lei nº 34, de 24 de Agosto de 2016

“Happy hour” é quando o trabalho acaba

Nos estágios emprego apenas 16,8% são desempregados há mais de 12 meses e a maioria (64,8%) são desempregados há menos de 6 meses

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In “Relatório Mensal – Valores acumulados a 30 de junho de 2016

As empresas de inserção estão a ajudar mais quem menos precisa?

Nos valores acumulados pelo IEFP, até 30 de Junho de 2016, verifica-se que nas empresas de inserção:
28,2% das pessoas abrangidas tem 45 ou mais anos;
– 40,7% das pessoas abrangidas tem o 2º ciclo do ensino básico ou menos.
Atendendo a que 62,0% dos adultos abrangidos têm de 25 a 44 anos e que 56,0% têm o 9º ano ou o ensino secundário, justifica-se analisar se as empresas de inserção estão a ajudar mais quem menos precisa.
In “Relatório Mensal – Valores acumulados a 30 de junho de 2016

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A qualificação de adultos está a ajudar mais quem menos precisa?

Nos valores acumulados pelo IEFP, até 30 de Junho de 2016, verifica-se que na qualificação de adultos:
– 35% dos adultos abrangidos tem 45 ou mais anos;
– 29,7% dos adultos abrangidos tem o 2º ciclo do ensino básico ou menos.
Atendendo a que 52,1% dos adultos abrangidos têm de 25 a 44 anos e que 58,7% têm o 9º ano ou o ensino secundário, justifica-se analisar se os programas de qualificação de adultos estão a ajudar mais quem menos precisa.
In “Relatório Mensal – Valores acumulados a 30 de junho de 2016

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As metas dos Centros Qualifica são uma utopia que faz lembrar os Centros Novas Oportunidades

Depois do programa Novas Oportunidades do Governo de Sócrates, dos Centros para a Qualificação e Ensino Profissional do Governo de Passos Coelho, o Governo de António Costa decide apresentar o programa Qualifica, para apostar na formação de adultos, tendo estabelecido as seguintes metas:
– que 50% da população ativa conclui o ensino secundário (atualmente apenas 26,1% da população ativa conclui este nível de ensino);
– alcançar uma taxa de 15% de participação de adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida e que esta seja alargada para 25% em 2025 (atualmente é de 9%);
– contribuir para atingir uma meta de 40% de diplomados do ensino superior, na faixa etária dos 30-34 anos (eram 31,9% em 2015);
– alargar a rede de Centros Qualifica, garantindo um total de 300 no continente até 2017, com abertura de 30 novos centros em 2016 e 32 em 2017.”

Por outras palavras as metas visam:
aumentar 91,6% a taxa de população ativa que conclui o ensino secundário;
Se em 10 anos esta taxa subiu apenas de 11,0% em 1998 para 15,30% em 2008, ou seja, apenas mais 4,3%, qual a credibilidade de estabelecer uma meta que, em 18 meses, aumenta 91,6%?;
Convém lembrar que o programa Novas Oportunidades, lançado em junho de 2007, tinha como meta para os jovens: Fazer do 12º ano o referencial mínimo de escolaridade para todos os jovens; colocar metade dos jovens do ensino secundário em cursos tecnológicos e profissionais, atingindo 145.000 vagas até 2010 e um total de 650.000 jovens abrangidos; aumentar para 27.500 as vagas de natureza profissionalizante ao nível do 9º ano.
aumentar em 67% a taxa de participação de adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida;
Se entre 2011 e 2014, em 4 anos, a taxa aumentou de 9,6% para 11,5%, ou seja, apenas mais 1,9%, qual a credibilidade de aumentar 6% em apenas 18 meses?;
Convém lembrar que o programa Novas Oportunidades tinha como meta para os adultos: qualificar um milhão de activos até 2010.
aumentar em 25% os diplomados do ensino superior, na faixa etária dos 30-34 anos;
Se entre 2005 e 2015, em 10 anos, a taxa subiu de 18% para 31,9%, ou seja 13,9%, será credível estabelecer uma meta que aumenta 25% em apenas 18 meses?
aumentar em 26% o nº de Centros Qualifica, de 238 para 300.
Tendo em consideração que o Qualifica arranca em Janeiro de 2017 e terá a duração de 18 meses, ou seja, até Junho de 2018, convém lembrar que o programa Novas Oportunidades tinha como meta expandir a Rede de Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências de modo a atingir 300 Centros em 2008 e 500 em 2010.

Será que os Centros Qualifica não vão repetir os erros dos CNO? Quais os critérios de seleção dos responsáveis dos Centros Qualifica? Há um plano plurianual de formação dos formadores, técnicos e responsáveis dos Centros Qualifica? Qual é o modelo de governação, monitorização e auditoria dos Centros Qualifica?

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No século 21 passamos o nosso tempo a responder de forma racional a um mundo que conhecemos, mas que já não existe

Apenas uma em cada 100 mil ideias de negócio consegue gerar lucro dois anos após a sua criação.

Os apoios à contratação Estímulo Emprego estão a ajudar mais quem menos precisa?

Nos valores acumulados pelo IEFP, até 30 de Junho de 2016, verifica-se que nos apoios à contratação Estímulo Emprego:
21,1% das pessoas apoiadas tem 45 ou mais anos;
– 41,9% das pessoas apoiadas tem 35 ou mais anos;
O Estímulo Emprego visa dar apoio financeiro aos empregadores que celebrem contratos de trabalho a termo certo por prazo igual ou superior a 6 meses ou contratos de trabalho sem termo, a tempo completo ou a tempo parcial, com desempregados inscritos nos serviços de emprego, com a obrigação de proporcionarem formação profissional aos trabalhadores contratados.
Como segundo as estatísticas do IEFP, de Maio de 2016, 68,4% dos desempregados tem 35 ou mais anos e que apenas 38.5% das pessoas apoiadas tem o 9º ano ou menos, justifica-se analisar se os apoios à contratação Estímulo Emprego estão a ajudar mais quem menos precisa.
In “Relatório Mensal – Valores acumulados a 30 de junho de 2016

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O Programa Reativar está a ajudar mais quem menos precisa?

Nos valores acumulados pelo IEFP, até 30 de Junho de 2016, verifica-se que no programa Reativar:
Apenas 33% das pessoas abrangidas tem 45 ou mais anos;
– 67% das pessoas abrangidas têm entre 31 e 44 anos;
– 40,8% das pessoas abrangidas têm nível de escolaridade superior.
Os estágios Reativar têm a duração de 6 meses, e destinam-se a desempregados de longa ou muito longa duração, com idade mínima de 31 anos.
Como a taxa de desemprego de longa ou muito longa duração é mais elevada nos desempregados com 45 anos ou mais anos, e que apenas 25,6% das pessoas abrangidas tem o 9º ano de escolaridade ou menos, justifica-se analisar se o Reativar está a ajudar mais quem menos precisa.
In “Relatório Mensal – Valores acumulados a 30 de junho de 2016

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