A Minha Carreira

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida, António Gedeão

As metas dos Centros Qualifica são uma utopia que faz lembrar os Centros Novas Oportunidades

Depois do programa Novas Oportunidades do Governo de Sócrates, dos Centros para a Qualificação e Ensino Profissional do Governo de Passos Coelho, o Governo de António Costa decide apresentar o programa Qualifica, para apostar na formação de adultos, tendo estabelecido as seguintes metas:
– que 50% da população ativa conclui o ensino secundário (atualmente apenas 26,1% da população ativa conclui este nível de ensino);
– alcançar uma taxa de 15% de participação de adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida e que esta seja alargada para 25% em 2025 (atualmente é de 9%);
– contribuir para atingir uma meta de 40% de diplomados do ensino superior, na faixa etária dos 30-34 anos (eram 31,9% em 2015);
– alargar a rede de Centros Qualifica, garantindo um total de 300 no continente até 2017, com abertura de 30 novos centros em 2016 e 32 em 2017.”

Por outras palavras as metas visam:
aumentar 91,6% a taxa de população ativa que conclui o ensino secundário;
Se em 10 anos esta taxa subiu apenas de 11,0% em 1998 para 15,30% em 2008, ou seja, apenas mais 4,3%, qual a credibilidade de estabelecer uma meta que, em 18 meses, aumenta 91,6%?;
Convém lembrar que o programa Novas Oportunidades, lançado em junho de 2007, tinha como meta para os jovens: Fazer do 12º ano o referencial mínimo de escolaridade para todos os jovens; colocar metade dos jovens do ensino secundário em cursos tecnológicos e profissionais, atingindo 145.000 vagas até 2010 e um total de 650.000 jovens abrangidos; aumentar para 27.500 as vagas de natureza profissionalizante ao nível do 9º ano.
aumentar em 67% a taxa de participação de adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida;
Se entre 2011 e 2014, em 4 anos, a taxa aumentou de 9,6% para 11,5%, ou seja, apenas mais 1,9%, qual a credibilidade de aumentar 6% em apenas 18 meses?;
Convém lembrar que o programa Novas Oportunidades tinha como meta para os adultos: qualificar um milhão de activos até 2010.
aumentar em 25% os diplomados do ensino superior, na faixa etária dos 30-34 anos;
Se entre 2005 e 2015, em 10 anos, a taxa subiu de 18% para 31,9%, ou seja 13,9%, será credível estabelecer uma meta que aumenta 25% em apenas 18 meses?
aumentar em 26% o nº de Centros Qualifica, de 238 para 300.
Tendo em consideração que o Qualifica arranca em Janeiro de 2017 e terá a duração de 18 meses, ou seja, até Junho de 2018, convém lembrar que o programa Novas Oportunidades tinha como meta expandir a Rede de Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências de modo a atingir 300 Centros em 2008 e 500 em 2010.

Será que os Centros Qualifica não vão repetir os erros dos CNO? Quais os critérios de seleção dos responsáveis dos Centros Qualifica? Há um plano plurianual de formação dos formadores, técnicos e responsáveis dos Centros Qualifica? Qual é o modelo de governação, monitorização e auditoria dos Centros Qualifica?

tesalvdiplomados

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One thought on “As metas dos Centros Qualifica são uma utopia que faz lembrar os Centros Novas Oportunidades

  1. Bruno Vilas on said:

    Bom dia, percebo a preocupação com os objectivos deste novo projecto, mas na prática é necessária uma maior aposta na formação de adultos, seja ela qualifica ou novas oportunidades ou CQEP, se estas estruturas deveriam ser em menor número e mais permanentes é uma questão importante que deveria ser respondida, outra é a da formação dos quadros e das condições efectivas das instituições que vão operacionalizar este novo programa. Uma outra questão que me leva várias horas de sono perdido é se as instituições envolvidas no processo, nomeadamente as que operacionalizam os Centros Qualifica estão familiarizadas com as alterações introduzidas pelos Centros Qualifica e que os diferencia dos CQEP´s e dos Centros Novas Oportunidades: Hoje fala-se que o enfoque deve ser dado no encaminhamento e esse deve ser um momento decisivo no processo formativo do adulto, o adulto, ser pessoal e profissional, deve ser encaminhado para uma oferta formativa que lhe permita a rápida retorno ao mercado de trabalho, no caso dos desempregados, e na melhoria da eficácia e eficiência dos adultos que estão a trabalhar.
    Esse processo deve ser feito de acordo com as competências que o adulto já desenvolveu, desenvolve e pretende desenvolver. Tentar encaixar pessoas em formações que não lhes darão mais-valia pessoal ou profissionalmente, apenas apresentar ofertas formativas da própria instituição porque interessa para abrir grupos de formação ou de RVC parece arcaico, mas é o que acontece ainda em muitos casos. Percebe-se ainda que o desconhecimento de muitas das instituições de um documento que sintetiza os novos desafios a nível de formação e empregabilidade no espaço europeu: “A Agenda para as novas competências na europa”, o qual sintetiza as preocupações dos diversos especialistas nestas duas áreas fundamentais para o desenvolvimento de um país sustentável económica e socialmente.
    Monitorizar resultados não deve ser factor fundamental na análise do trabalho das instituições, em muitos casos os resultados são atingidos sem a necessária qualidade do processo de diagnóstico e/ou do processo formativo.

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